quinta-feira, 5 de agosto de 2010

NEEMIAS

A Copa de Neemias

Como nasce um líder? E o herói?

Neemias é um modelo de líder atípico. Não era rei, nem profeta. Não foi ungido como Davi, não recebeu a visita de um anjo, como Gideão; não teve uma experiência de chamamento divino como Moisés ou Samuel. Há aqueles que são escolhidos para serem líderes e há aqueles que se oferecem. Neemias é um destes: não é um escolhido, é um oferecido.

Um herói se importa – Neemias fica sabendo da situação de seus irmãos em Jerusalém. “Aqueles que sobreviveram ao cativeiro e estão lá... passam por grande sofrimento e humilhação. O muro de Jerusalém foi derrubado, e suas portas foram destruídas pelo fogo” (Ne 1:3). O povo havia retornado do cativeiro babilônico e uma tímida tentativa de restauração dos muros da cidade havia sido interrompida pelo rei Artaxerxes, o mesmo rei a quem Neemias servia como copeiro-mor. A reação de Neemias é a primeira que todo líder sente ao ser exposto a uma situação extrema: consternação. Neemias chora, lamenta e em seguida, ora e jejua por dias a fio.

Um herói se identifica com o sofredor - Neemias toma a causa do povo como sua. Apesar de ser judeu, Neemias não vivia nas mesmas e dramáticas condições de seu povo. Era um funcionário palaciano a mil e quinhentos quilômetros de distância da dor alheia. Tinha todas as desculpas para não se envolver. Mas o líder nato, toma a causa dos menos favorecidos como sua. Muitas vezes o líder é um igual que se diferencia dos demais. No caso de Neemias, ele era um diferente que decide se igualar. Em sua oração de confissão, Neemias se coloca na mesma condição dos demais: “Confesso os pecados que nós... Sim! Eu e o meu povo temos cometido” (Ne 1:6)

Um herói se vê capaz. Uma cidade destruída, um povo desmoralizado e desmotivado. Era essa a situação e Neemias não era um engenheiro civil, um empreiteiro ou um arquiteto. Era apenas o copeiro. Mas não era um copeiro qualquer, era o copeiro de Artaxerxes; era o homem da confiança do maior monarca da época. E com Neemias aprendemos que é necessário confiar nos talentos que possuímos. Caso contrário, jamais estaremos dispostos a assumir desafios. Muitos conselheiros espirituais poderiam dizer: “Não olhe para si mesmo. Olhe para Deus!”. Ouse discordar. Olhe para Deus e você verá que Deus está olhando para você.

Quando sabemos identificar nossas habilidades, também identificamos nossas limitações. Neemias tinha boa vontade e disposição, mas não tinha recursos materiais. Mas tinha dois recursos fundamentais: a confiança do rei e a confiança em Deus. Neemias decide interceder junto ao rei Artaxerxes. Mas, antes, ora fervorosamente (Ne 1:5-11). “Faze com que hoje este teu servo seja bem-sucedido, concedendo-lhe a benevolência do rei”. Quando o rei lhe pergunta o que ele deseja, Neemias responde: “Se for tua vontade, me envie à cidade de meus pais para que eu a reconstrua” (Ne 2:5) e aproveita a oportunidade com incrível ousadia: Pede uma licença de serviço, autorização para atravessar as fronteiras do reino, oficiais do rei para acompanhá-lo e madeira do jardim real para a restauração das portas da cidade e para a construção de uma moradia para si. Essa é a qualidade maior de qualquer herói: coragem. O rei nada lhe nega.

Neemias é um tipo de líder atípico. Não foi eleito, não foi nomeado, não foi formado, não foi galgando degrau por degrau até a condição de liderança. Mas é o herói típico. Pois é herói todo aquele que, diante da calamidade, é capaz de indignar-se (“Isso não pode continuar assim”), chamar a si a responsabilidade (“Preciso fazer algo a respeito”), identificar e mobilizar os recursos disponíveis (“Eis o que vou fazer!”) enquanto que o covarde é aquele capaz apenas de resignar-se (“Que pena”), desviar da responsabilidade (“Não é problema meu”) e ignorar os recursos favoráveis (“Não há nada que eu possa fazer”). Neemias é o líder-herói. Do tipo de líder que a Igreja mais precisa hoje. O tipo que bate o joelho no chão e clama aos Céus, e bate a mão no peito e diz: “Deixa comigo”.

domingo, 1 de agosto de 2010

EXPONDO A FÉ

SÁBADO, 31 DE JULHO
EXPONDO A FÉ


“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus mediante Jesus Cristo, por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus,” (Rm 5:1-2).
Há muita confusão quanto ao assunto teológico da salvação, pois alguns tratam este tema de forma muito humana como se Deus estivesse nos sujeitando a fazer algo para conquistar a salvação. Por mais difícil que pareça ser, nada, absolutamente nada do que venhamos fazer nos colocará no céu. Esta verdade é tão sublime e soberana que ao invés de gerar discussões, deveria conquistar de nós a mais sublime admiração. Nossos olhos deveriam brilhar intensamente, nosso coração deveria arder de emoção, nossa consciência deveria ser ferida constantemente pelo que Cristo foi capaz de fazer por nossas vidas. Nosso salário era a morte eterna, mas Cristo impediu esta condenação pagando por nós com Sua própria vida. Isto não é significante? Não consigo entender, como ainda podem existir pessoas que insistem em querer inserir as obras humanas dentro do plano salvífico como se realmente alguma coisa pudéssemos ou devêssemos fazer para sermos aceitos.

Não podemos misturar justiça comunicada com imputada. Não podemos confundir justificação com santificação. Enquanto não soubermos distinguir estas duas coisas, sempre teremos problemas com liberalismo e perfeccionismo. Somos plenamente justificados pelo que Cristo fez por nós, e mesmo a santificação, nada poderá fazer por nós em termos de salvação. A santificação tem o seu devido lugar, e o seu lugar não é e jamais será o de justificar. A santificação é uma conseqüência natural da salvação. Em outras palavras, o crente que é salvo, conseqüentemente é transformado pelo poder que o salvou, mas ele não é transformado para ser salvo, mas porque já foi salvo.

DOMINGO, 01 DE AGOSTO
JUSTIFICADOS POIS...

Jesus foi perfeitamente obediente a lei para que esta obediência seja creditada a nós. Sua santidade e perfeição de caráter é concedida a todos os que o aceitam. Sei que esta declaração poderá gerar desconforto para alguns, mas, veja se estou realmente sendo coerente ou se estou forçando a interpretação:

“Alei requer justiça – vida justa, caráter perfeito; e isso não tem o homem para dar. Não pode satisfazer as reivindicações da santa lei divina. Mas Cristo, vindo à terra como homem, viveu vida santa, e desenvolveu caráter perfeito. Estes oferece Ele como dom gratuito a todos quantos o queiram receber. Sua vida substitui a dos homens”, (Desejado de Todas as Nações, p. 762)

Esta citação e minha afirmação não anulam em absolutamente nada o papel da santificação, mas serve para nos mostrar com clareza que muitos de nós podemos estar misturando as coisas e tentando impor nossas concepções de pureza, santidade, integridade ou busca pelo que é correto como fator de justificação própria. O papel da santificação pode ser o de qualquer um, menos o de estabelecer justificação. Nossas obras, por mais perfeitas que sejam, ainda serão como trapos de imundície perante Deus. A obediência é importante, pois demonstra a fé que aceitamos, mas, a partir do momento que tentamos fazer de nossas obras algo que tente comunicar justiça em nós, entraremos com certeza por caminhos distorcidos.

SEGUNDA, 02 DE AGOSTO
DEUS EM BUSCA DO HOMEM

“Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque dificilmente haverá quem morra por um justo; pois poderá ser que pelo homem bondoso alguém ouse morrer. Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5:6-8).

Perdidos, essa era e é nossa condição sem Cristo. Antes que Deus, através de Cristo se manifestasse na cruz, antes que o plano da redenção fosse colocado em prática, não havia esperança alguma para a raça caída. Somos como urubus que são tentados e propensos a procurar pelas carniças do mundo. Não temos uma natureza propensa a procurar carniça para se alimentar, mas temos uma natureza muito pior do que isso, pois o desejo e as propensões para o pecado são infinitamente piores do que se alimentar se uma simples carniça. Não estou querendo jogar na lama a dignidade humana, porque na verdade nem dignidade temos.

O que estou super enfatizando é que, se não fosse Deus procurar o ser humano, estabelecer métodos de como salvá-lo, todos nós, sem faltar um, estaríamos completamente perdidos. Sem esperança, sem condições, sem absolutamente nada que pudesse ser feito por nós. As reivindicações da lei e da justiça divina são infinitamente muito superiores do que qualquer justiça que as criaturas possam oferecer. Mesmo as criaturas santas e imaculadas que vivem no céu, não poderiam suprir as reivindicações e justiças que a santa lei de Deus requeria, somente Cristo poderia supri-las.

Se nem mesmo um ser santo do céu, com exceção de Cristo, podia morrer pelo ser humano e com isto, poder suprir as exigências da justiça divina, isso deixa bem evidente que as coisas não são tão simples assim. Por esta razão, legalismo e perfeccionismo são extremos que precisam ser evitados. Que devemos pelo poder de Deus ser obedientes, disto ninguém tem dúvidas, mas pretender inserir o esforço humano ou perfeição humana como fator salvífico, não é somente heresia doutrinária, mas totalmente sem lógica. O papel da obediência com Deus é semelhante a um esposo que é fiel a sua esposa no casamento. Obediência com Deus deve ser uma conseqüência do que Ele foi capaz de fazer por nós, e nós, de igual forma, o servimos, em demonstração de amor para com Ele. Não podemos dizer que guardamos os Seus mandamentos porque do contrário, não iremos para o céu. Devemos dizer que guardamos os Seus mandamentos porque Ele foi capaz de fazer o inimaginável por nós. Nosso intenso desejo de servi-lo deve ser por amor.

TERÇA, 03 DE AGOSTO
A MORTE TRAGADA

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram” (Rm 5:12).

A morte é sem dúvida alguma, a mais funesta de todas as conseqüências do pecado. Nossa própria natureza não aceita a morte. Mesmo os mais desiludidos com a vida, gostariam ao invés de morrer, ser felizes e realizados.
Um dia uma irmã muito jovem ficou muito doente e morreu. A família pediu que eu fizesse o velório uma vez que o pastor estava de viagem. Com autorização do pastor fiz o velório. Uma coisa me chocou muito nos relatos do esposo. Ele me disse que ela havia morrido em seus braços fazendo um ultimo pedido, que não a deixasse morrer.

Por mais trágica e poderosa que seja a morte, Deus nos deu a esperança de, mesmo em face deste mais trágico pesar, ainda podermos continuar vivendo. O mais curioso nesta realidade e deve fazer brilhar nossos olhos e fremir nosso coração, é que isto será possível graças ao que Jesus Cristo fez por nós na cruz do calvário. Seu sangue foi o preço pago para permitir que entremos um dia para a história da eternidade. Penso que teríamos menos problemas tanto pessoais quanto coletivos se olhássemos mais para Cristo do que para nós mesmos. Esta verdade absolutamente real deve permear toda nossa existência, consciência, pensamentos, enfim, todo o nosso ser.

Um dia viveremos sobre os laços da eternidade, sem pensar em morte, sem pensar em sepultura, sem visitar velórios ou nos despedirmos de pessoas que amamos. Acredite nisto com toda a força, pois através de Cristo esta verdade se tornará pura realidade.

QUARTA, 04 DE AGOSTO
A LEI DESPERTA A NECESSIDADE

“Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta. No entanto a morte reinou desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão o qual é figura daquele que havia de vir” (Rm 5:13 e 14).

É bem verdade que a lei foi anunciada oficialmente em escritas a partir do Sinai. Mas isto não significa que ela não existia antes. Matar, roubar, adulterar que são três dos dez mandamentos sempre foram pecado.

Pecado é a transgressão da lei (1 Jo 3:4), tanto antes do Sinai quanto depois. Assim como nos dias atuais, a salvação sempre foi pela graça e a lei tanto antes do Sinai quanto depois, sempre teve o papel de apenas apresentar nossa real condição e real necessidade de cura e restauração. A lei, ao nos mostrar o quanto estamos perdidos, nos apresenta que precisamos de uma solução que está além de nós. Essa solução é Cristo. Portanto, a lei desempenha também o nobre papel de nos conduzir até o redentor.

O problema sempre foi o pecado e não a lei. Satanás iniciou sua jornada contra Deus atacando sua lei no céu. No Éden permaneceu firme neste propósito e desdenhou por completo a lei de Deus. Em nossos dias, ele permanece no mesmo intento, pois sua afronta ao Deus eterno é revelado pelo seu real confronto à lei do Senhor.

Infelizmente, muitos se colocam nas mãos de satanás fazendo a sua funesta obra, a de se colocar contra os mandamentos de Deus. Existe toda uma antipatia pelas regras, leis, princípios e valores da vida ensinadas pela palavra de Deus. Ninguém quer saber das regras e por não se interessarem buscam de todo argumento plausível. Alguns dizem que a lei não existia antes do Sinai, ou dizem que a lei terminou na cruz, ou dizem que nem tudo na Bíblia é válido para os dias atuais. Enfim, o objetivo é sempre chegar nos dez mandamentos invalidando-os de alguma maneira.

Gradativamente vão anulando as leis que regem a vida mesmo em detrimento da graça, até o momento em que começam a corroer o real valor e necessidade da guarda de alguns ou de todos os mandamentos de Deus.
Particularmente, eu vejo nessa estratégia, uma bela arquitetura satânica de nos fazer olhar para a lei de Deus com menos apreço. É fato e verdade que a graça é tudo e suficiente para nós, mas jogar os mandamentos para um nível em que não é digno pode ser tão perigoso quanto. Não é de se admirar que um dia, os que guardam os mandamentos de Deus serão perseguidos até mesmo de morte por não renunciar a obediência a Deus? Pense nisso.

QUINTA, 05 DE AGOSTO
O SEGUNDO ADÃO

“Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida. Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos” (Rm 5:18,19).

Adão foi criado em todos os aspectos da pureza. Não havia pecado, mas, quando Adão pecou, ele cometeu o pecado por ele e por todos os que viriam de suas entranhas. Nós chamamos isto de pecado corporativo. O pecado de Adão foi por ele e por todos que fazem parte de suas entranhas. Conseqüentemente, todas as conseqüências que viriam a Adão, também sobrecairia a toda a raça pós Adão. A palavra de Deus diz que a morte passou a todos os homens por causa da desobediência e que não haveria nem um justo sequer, e ainda afirma que todos pecaram. É difícil crer que pecado poderia ser apenas um ato em si, uma vez que, a Bíblia apresenta culpabilidade em todos que vieram de Adão.

Neste ínterim, Cristo é apresentado como sendo o segundo Adão, pois Jesus assumiu todas as culpas de Adão e conseqüentemente a culpa de toda a raça caída. Pois assim “como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida”. Assim como Adão cometeu o pecado corporativo, desta mesma forma Jesus precisava vir das entranhas de Adão (Raça humana), para que seu ato pudesse alcançar toda a raça caída. Isto chamamos de sacrifício corporativo.

Quando olhamos para o primeiro Adão, vemos apenas juízo e morte, mas quando olhamos para o segundo Adão, podemos buscar solução e cura para os pecados e morte.